
Como, afinal, nasce uma armação exclusiva de óculos?
Para a maioria dos óculos, o nascimento surge de um desenho encaminhado para um linha de produção industrial que, com a utilização de maquinários, são transformados em óculos a partir de metal ou chapas de acetato. Certo? Não, errado.
A verdade do processo, para muitas marcas e fabricantes é muito, mas muito mais interessante do que isso. E, talvez, seja justamente a revelação de quantos conhecimentos, pessoas e sentimentos envolvidos na produção dos óculos, seja o maior patrimônio do nosso setor.
Todo mundo sabe que sou mais do que um apaixonado por este universo. Sou, de fato, um devoto da Doutrina Eyewear.
Quanto mais mergulho e estudo o mercado, mais percebo que conhecer uma armação vai muito além de identificar sua marca, seu design ou seu material.
Conhecer uma armação é compreender sua origem, seu conceito, sua cultura de fabricação e, principalmente, a inteligência empregada em cada etapa do processo. Afinal, antes de chegar ao rosto de alguém, ela percorre uma jornada que envolve tradição, tecnologia, precisão e, muitas vezes, um trabalho que envolve muita pesquisa, muitos conhecimentos, muita experiência, muito cuidado, atenção, alma e coração de todos os envolvidos. Coisa que poucos consumidores imaginam existir.
Mas essa é apenas a superfície de um universo extremamente complexo. Hoje, uma armação pode nascer por usinagem e cortes de uma máquina como a CNC, moldagem por injeção, estampagem metálica, dobra computadorizada, impressão 3D, laminação de madeira, conformação de fibra de carbono.
Há também, os mais exclusivos e raros que nascem pelas mãos hábeis de um lunetier que trabalha artesanalmente em seu ateliê.
Essa diversidade de processos explica por que duas armações que, embora com estruturas semelhantes, mas confeccionadas por processos distintos, podem cumprir a "mesma função", mas proporcionar experiências completamente diferentes.
Quando visitamos uma fábrica de armações, por exemplo, percebemos que a produção começa no conceito do desenho, na produção do molde da peça injetada, na seleção da matéria prima (chapas de acetato, o mais usado), nas ferragens, nos acabamentos e envolve um time gigantesco de produção.
No Japão, a obsessão pela precisão faz com que muitos fabricantes trabalhem com tolerâncias medidas em centésimos de milímetros e sempre como uma etapa de acabamento artesanal.
Na Europa, a tradição dos lunetiers preserva técnicas centenárias que continuam valorizando o trabalho manual.
Na China, encontramos linhas altamente automatizadas capazes de produzir milhares de peças por dia com impressionante repetibilidade.
E, no Brasil, convivemos com um cenário cada vez mais rico, onde convivem pequenos ateliers autorais, fabricantes independentes e a grande indústria que tem seu espaço dentro desse mercado cada vez mais competitivo.
Nenhum desses modelos e técnicas de fabricação é, por si só, melhor ou pior.
Muito pelo contrário, cada um responde a um propósito diferente.
Existem marcas que precisam produzir milhões de armações de óculos por ano para abastecer mercados globais com preços atrativos para o ganho em escala.
Outras preferem fabricar poucas centenas de peças, algumas com acabamento manual e às vezes com coleções numeradas e assinadas, valorizando a exclusividade.
Algumas apostam na automação extrema outras fazem questão de preservar o toque humano como parte essencial da identidade da marca.
Talvez muitos achem que o valor de uma armação está no material, no desenho ou na logo estampada. Mas, para além disso, existe o processo de produção e acabamento que também agregam muito ao produto final e a experiência de quem vai vestir.
Uma chapa de acetato pode dar origem a uma peça comum ou a uma obra de design.
Um fio de titânio pode resultar em uma armação extremamente sofisticada ou em um produto apenas funcional.
A diferença quase nunca está na matéria-prima isoladamente. Está na engenharia do projeto, no design único, na qualidade da fabricação, no acabamento, no controle e na cultura produtiva de quem a desenvolveu.
Hoje convivemos com uma variedade impressionante de materiais. Acetatos tradicionais, bio acetatos, TR90, grilamid, policarbonato, nylon, aço inoxidável, monel, titânio, beta titânio, alumínio, fibra de carbono, madeira, bambu, tecido, café, chifre natural e diversos materiais híbridos fazem parte do repertório da indústria contemporânea.
O mais recente, ainda não lançado oficialmente, mas que você vai ouvir falar muito por aqui são as chapas LunettiBio&trade feitas do bagaço de fibra de cana de açúcar.
E cada um desses materiais exige tecnologias, equipamentos e conhecimentos técnicos específicos.
O mesmo acontece com os processos produtivos. Existem fábricas cuja principal tecnologia é a usinagem CNC. Outras trabalham quase exclusivamente com injeção de termoplásticos.
Há quem invista em corte a laser, soldagem por microplasma, galvanoplastia, anodização, impressão 3D ou robótica industrial. Em paralelo, cresce um movimento global que resgata o valor do feito à mão, aproximando novamente a fabricação do conceito de artesania.
Essa coexistência entre tradição e inovação talvez seja uma das características mais fascinantes do mercado eyewear atual. Enquanto algumas empresas investem em tecnologia para otimizar processos produtivos, outras continuam polindo manualmente cada peça durante horas para alcançar um acabamento quase que impossível de ser reproduzido integralmente por máquinas.
É exatamente nessa convivência entre tecnologia, criatividade, habilidade e sensibilidade humana que enxergo o futuro da indústria óptica.
Vivemos um momento em que a personalização ganha força, a produção sob demanda cresce, e a sustentabilidade passa a influenciar escolhas de materiais, processos e as compras. Ao mesmo tempo, consumidores valorizam cada vez mais autenticidade, origem e propósito.
Para uma boa parcela desta "nova geração" de habitantes do mundo eyewear, não basta fabricar um bom produto, um acessório para usar.
É preciso fabricar algo que tenha significado, conceito, estilo e personalidade para VESTIR.
Essa transformação também muda o papel do varejo. O lojista que conhece a história por trás da fabricação de uma armação de óculos deixa de vender apenas um produto e passa a apresentar argumentos capazes de gerar significado.
Quando ele explica por que determinado material é único, por que outro material exige um processo produtivo diferente ou por que uma peça artesanal demanda dezenas de horas de trabalho, a conversa deixa de ser sobre produto e preço e passa a ser sobre a peça que vai vestir o rosto do cliente, ser a sua aliada na assinatura de estilo e na sua estratégia de imagem.
E quando falamos em vestir óculos é claro que não podemos deixar de falar do Movimento da Alfaiataria Eyewear Brasileira e da formação de novos lunetiers.
Porque, no Movimento da Alfaiataria Eyewear, uma armação de óculos nunca nasce por acaso. Ela nasce da combinação entre inteligência, criatividade, repertório, habilidade e, acima de tudo, um profundo conhecimento e conexão entre o ser humano que vai fabricar e o que vai vestir aqueles óculos.
E esse, talvez, seja o verdadeiro diferencial competitivo do mercado óptico que está sendo construído diante dos nossos olhos: óculos únicos, com identidade, alma, feitos à mão, a quatro mãos, com calma. ALMA e coração.
Conhecer como uma armação é produzida amplia nosso repertório, melhora nossas escolhas e fortalece todo o mercado.
Fabricantes evoluem, designers inovam, lojistas argumentam melhor e consumidores passam a compreender que existe muito mais significado em uma armação do que aquilo que seus olhos conseguem enxergar.
No fim das contas, toda armação conta uma história. Algumas começam em uma linha robotizada de alta produtividade. Outras nascem silenciosamente nas mãos de um lunetier.
Mas todas carregam decisões, conhecimento, técnica e cultura.
E talvez seja exatamente isso que torne o universo dos óculos tão fascinante: antes de existir um design, existe um processo. Antes da estética, existe confecção. Antes da marca, existe o saber fazer.
E é sobre este "saber fazer" que vou falar no meu próximo artigo e explicar todo conhecimento envolvido em um lunetier.
Arrisco em dizer que este conhecimento talvez se torne o maior luxo do mercado óptico contemporâneo. Porque ele é capaz de esclarecer que o maior luxo pode não ser utilizar o material mais caro, mas dominar o conhecimento necessário para transformar a percepção dos óculos para além da função de saúde, elevando-os ao topo da pirâmide de Maslow para atender as necessidades que envolvem os sentimentos de estima e autorrealização de cada pessoa.
Nos vemos na próxima coluna onde você vai entender ainda mais os conceitos da Alfaiataria Eyewear e saber porque todo Alfaiate Eyewear é um lunetier, mas nem todo lunetier é um Alfaiate Eyewear.
Sobre o SerjãOÓptico
O criador do movimento da Alfaiataria Eyewear Brasileira é especialista e influenciador do mercado e atua como uma das principais vozes do mercado eyewear no Brasil e no mundo.
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FONTE: SerjãOÓptico Especialista em tendências eyewear
Fonte: SerjãOÓptico
Conteúdo de: Serjão Óptico
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