
Uma desvantagem para as mulheres: segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada três pessoas cegas, duas são do sexo feminino, algo em torno de 27 milhões de deficientes visuais total no mundo.
Segundo Keila Monteiro de Carvalho, médica oftalmologista, Professora Titular de Oftalmologia da UNICAMP, Coordenadora do Serviço de Estrabismo, Oftalmologia Pediátrica e Visão Subnormal do HC - FCM/UNICAMP, questões socioeconômicas, como desigualdade financeira (que dificultaria a compra de remédios e lentes corretivas), falta de informação sobre os problemas e tratamentos existentes e dificuldade de acesso às unidades de saúde, podem explicar estes números. "O Brasil tem avançado bastante no intuito de reduzir estas disparidades, mas ainda estamos longe do ideal. Na oftalmologia, e na medicina como um todo, vemos um movimento de feminilização, mas ainda precisamos avançar bastante", diz a especialista.
Além disso, alguns problemas oculares podem, de fato, afetar mais mulheres do que homens. Entre elas estão o glaucoma, a catarata, degeneração macular relacionada à idade (DMRI), retinopatia diabética, o olho seco, as doenças neuroftalmológicas, as doenças oculares inflamatórias e as relacionadas ao fluxo sanguíneo na região dos olhos. "A ocorrência de afecções sistêmicas como esclerose múltipla, doenças reumáticas, hipertensão e diabetes, relacionadas à interação entre hormônios sexuais, genética, fatores ambientais e o sistema imunológico, também podem trazer danos à visão das mulheres", comenta Keila Monteiro de Carvalho.
A gravidez também pode influenciar a saúde ocular. A oftalmologista explica que, durante este período, são relativamente comuns olho seco, visão embaçada, e reações às lentes de contato e aumento de grau de problemas refrativos preexistentes, como miopia, presbiopia, astigmatismo e hipermetropia. A pré-eclampsia (aumento da pressão arterial que pode ocorrer a partir da 20ª semana) e o diabetes gestacional são outros fatores que podem acarretar perdas de visão. "Apesar de geralmente regredir após o parto, existe a possibilidade de sequelas", explica a especialista. "Por isso é importante a participação de um oftalmologista durante o pré-natal, sobretudo nos casos de mulheres já apresentem alguma condição preexistente, como alguns tipos de tumores, diabetes, glaucoma e uveítes", alerta.
O aumento da expectativa de vida da mulher (79,9 anos, segundo dados do IBGE) é outro fator que acaba influenciando no surgimento de doenças oculares, como, por exemplo, olho seco e DMRI, que se tornam mais comuns após a menopausa.
Independentemente do momento da vida, Keila Monteiro de Carvalho ressalta que além das visitas periódicas ao oftalmologista, para preservar a saúde ocular, a mulher deve investir em um estilo de vida saudável: adotar uma dieta saudável, praticar atividades físicas regularmente, não fumar nem ingerir bebidas alcoólicas em excesso, evitar o estresse e utilizar óculos com proteção contra a radiação ultravioleta. "Também é fundamental que todas as mulheres fiquem atentas às alterações na visão e procurem o oftalmologista caso algo diferente ocorra", orienta a especialista.
Sobre a médica
Profa.Dra.Keila Monteiro de Carvalho, médica oftalmologista, Professora Titular de Oftalmologia da UNICAMP, Coordenadora do Serviço de Estrabismo, Oftalmologia Pediátrica e Visão Subnormal do HC - FCM/UNICAMP
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